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riscos_e_rabiscos

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Do Amor.

 

Sei que existem algumas pessoas que gostam de mim. E também tenho a certeza que tenho alguns animais gostam. E não me refiro a pulgas, melgas ou mosquitos!

 

Com o meu regresso a casa da mamã, se por um lado deixei o meu bichinho pequenote tristinho porque não percebeu o porquê da nossa separação, por outro lado deixe o meu bichinho grandão feliz da vida. 

E o contentamento foi tanto que me deu várias mordiscadelas de amor, sem magoar, e mais umas trinquinhas nos lóbulos das orelhas, a sua parte preferida do meu corpo.

 

Quando chegou a hora de me enfiar debaixo dos lençõis, apercebi-me de uns olhinhos carentes a incidir em mim. Mas como fui para a cama com papelada debaixo do braço e depois espalhei tudo na cama, os olhinhos não sairam do sítio onde estavam.

Como eu nunca mais dava sinal de autorização de avanço para cima da minha cama, o grandão, quem é como quem diz o Bóbi, decidiu que já era tempo a mais e saltou para cima de tudo. Carências!

 

Estava eu já nas nuvens, a sonhar com os anjinhos e prados verdejantes, quando sinto um "braço" em cima de mim. Aconcheguei-me. De repente, desperto sobressaltada! Eh lá, mas que é isto?! O N. não está aqui...!

Virei-me para o outro lado da cama e deparo-me com um cãozão alapado na minha cama, estendidinho ao meu lado, com cabeça na almofada e patinhas a abraçarem-me. O mais engraçado é que ele tinha uma expressão no focinho que parecia estar a rir-se de felicidade.

 

Já não tive coragem de me zangar com ele. Ele gosta de se deitar aos meus pés por cima da roupa mas esta noite as "saudades" levaram-no a deitar-se ao meu lado. And this is canine love...

Recomeçar a rotina.

Para mim, começaram hoje as aulas. Contingências de horários. O N. também terminou as férias e amanhã recomeça a trabalhar. Abandonámos ambos o nosso "castelo altaneiro" ao mesmo tempo, fechámos o nosso pequeno refúgio a sete chaves que assim ficará até ao nosso próximo reencontro.

 

Malas feitas e arrumadas no carro, o N. deixou-me na escola e segui além Tejo. Ficou-me gravado na minha memória visual o adeus aos meu Pimento metade e ao meu Pimentinha que ficou a olhar para mim como quem pergunta "então não vens?". Abriu-se a porta da escola e enquanto entrava engolia o nó da garganta e as lágrimas dos olhos que teimavam em querer saltar. 

 

Novo ano, nova entrada na escola, mais um passo em frente. Uma nova etapa a vários níveis. Entrei revestida de calma e uma armadura forte, pronta para qualquer embate possível.

 

O dia decorreu tranquilo e dentro da normalidade. As crianças não estavam excitadas como costuma acontecer depois de um período de férias, por isso, iniciei matéria nova, cumprindo assim a planificação prevista.

 

À última hora tive a turma da minha B. que, por motivos graves, mudou de escola. Foi tão estranho não a ter lá. Ver o lugar dela ocupado por outra criança, sentir a ausência do seu "ó teacher", das suas perguntas... Foi muito estranho e triste. Mas foi melhor assim. Ninguém merece o que se passou com ela.

 

Este podia ter sido um dia de muita tristeza para mim. A minha separação do N., o olhar do Pimentinha, o deixar de viver no meu "castelo altaneiro" com o meu meio pimento e o regressar à escola e sentir a ausência da minha B. e escrevo tudo isto com um nó na garganta.

 

Mas eu escolho não ficar triste. Eu sou capaz de superar esta emoção que me arrasa. Eu escolhi não me deixar ir abaixo por tudo isto. I could do it.

Ensinamento da Semana #1

 

Decidi que todas as semanas irei escolher Uma imagem, uma frase ou até uma palavra que faça sentido para mim e me traga algum ensinamento, algum sentimento positivo, de incentivo e motivador.

 

Vai ser uma espécie de Mantra e que deverei repetir todos os dias para me mentalizar e acreditar. Será uma forma de, pelo menos eu, dar valor a mim, tentar modificar a minha auto-estima e escudar-me mais fortemente para os revezes da vida.

 

Esta semana escolhi esta:

(Sim, tu podes/és capaz.)
É uma frase generalista e abrangente. Sim, sou capaz e posso ser e fazer aquilo que eu quiser. Sim, eu posso. Sim, sou capaz.

Nem o meu último dia do ano podia ser normal...!

Como a minha animosidade nestes últimos tempos, tem sido praticamente nula, a minha vontade de festa era equiparada. Por mim, tinha hibernado desde dia 23 de Dezembro de 2011 até ao dia 2 de janeiro de 2012. Mas como assim não podia ser, fiz o meu jantar de natal em família - e fiz árvore de Natal só por descargo de consciência - distribuiu-se a meia dúzia de prendas (literalmente) por nós e pronto.

( A árvore de Natal é o meu retrato: pequena e pobrezinha)
 

Dando seguimento a este estado de espírito que me vinha acompanhando (às vezes com lágrimas à mistura e tudo), resolvi que a minha passagem de ano seria na companhia do meu N e do pimentinha apenas.

Fiz um jantarzinho delicioso - que depois colocarei a receita no Tastelicious - regado com um vinho que me pôs quase bêbeda e uma sobremesa simples mas que fez as nossas pupilas gustativas bater palmas.

 

No último dia do ano, precisava de fazer umas últimas compras para poder confecionar o nosso jantar. Como o N. teve de ir tratar de umas coisas do carro, só pude ir de tarde. Mais precisamente ao fim da tarde.

E isto não seria nada de extraórdinário se fosse numa cidade onde não houvesse Corrida de São Silvestre!!!

À ida para o supermercado já havia polícia por todo o lado para começar a cortar o trânsito mas como as compras seriam rápidas não nos preocupámos.

 

Pegámos no cesto fomos para a caixa e ficámos lá uma eternidade. Já eu bufafa por todo lado, farta de estar ali à seca, quando pergunto ao N. porque é que o casal que estava na caixa estava a demorar tanto, se seria por algum preço engatado. E a resposta dele foi... estão preparados? De certeza? Olhem que é melhor sentarem-se... Bom, o motivo foi... TCHARANNNNNNNNN!!!!!

 

O casal tinha levado dois sacos com alguns dois quilos de moedas de UM CÊNTIMO e DOIS CÊNTIMOS para pagar a conta e trocar o restante por notas!!!!!!!!! Acham isto normal?!?

Só mesmo a mim para me acontecerem coisas destas! Reeeesmas de tempo à espera porque uns energúmenos que não têm respeito por quem está a trabalhar nem por quem espera, se lembraram, no ÚLTIMO DIA DO ANO, trocar os cêntimos que amealharam durante o ano inteiro!!!!

Não o podiam ter feito noutro dia ou numa hora mais calma? Pois, parece que não! E os supermercados não podiam fazer um aviso para que não houvessem situações destas nestes dias festivos? Pois, parece que não!

 

De compras pagas e aviadas, enfiámo-nos no carro. E a odisseia começou! Ruas principais já estavam fechadas, por isso, pensámos que ainda houvessem algumas ruas paralelas onde se pudesse circular e fomos à procura delas. Mas... nada! Já estavam todas cortadas.

Por cada polícia que passávamos, perguntávamos como podíamos ir para casa. a resposta era sempre a mesma: encostem o carro e esperem a corrida passar. Que coisa!

 

Resolvemos, então, procurar caminhos paralelos mas que - pensámos nós - estariam circuláveis. Nada, tudo cortado! Já estávamos a entrar em desespero. Nem conseguíamos chegar até casa da minha mãe e nem sequer ir para a nossaaaaa!!!

Demos voltas e mais voltas e, quando olhámos para o conta quilómetros já tínhamos feito 25 Km... sim, 25 kms só aqui às voltinhas para tentar chegar a casa!!!

 

Depois lembrei-me de tentarmos dar a volta por outro local. Acabámos por ir dar ao Metro e dar a mão à palmatória: fomos vencidos, não temos alternativa, vamos lá encostar o carro no parque.

Mas mesmo depois de todas estas peripécias, há sempre uma escapatória: com um olho no burro e outro no cigano que é como quem diz com um olho na polícia e outro na abertura do passeio que nos acenava mesmo à frente dos nossos narizes, e que nos permitiria entrar numa rua que nos levava a casa, acelerámos a fundo e só parámos à porta de casa! UFA!

 

Resta apenas dizer que nós, neste tempo todo, aproveitámos para treinar o Pimentinha a mostrar os dentes de forma ameaçadora aos senhores agentes da polícia com o intuito de os intimidar a deixar-nos passar. Mas escusado será dizer que não adinatou de nada...

 

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